30.1.09

Ainda sobre o cabelo

Como eu já disse no texto anterior, eu precisava cortar o cabelo. Eu sempre corto lá no seu Júnior, um senhor evangélico que tem uma paciência de cão, pois demora mais ou menos meia hora para completar o serviço. Na última vez, como o meu cabelo estava em um estado lastimável, tive que agendar um horário especial, pois ele demoraria uma tarde inteira. E assim aconteceu. Cheguei lá uma da tarde e saí às cinco. Quando o relógio estava marcando quatro e meia ele já havia completado a parte difícil, que envolvia foice e lança-chamas, e estava no acabamento final com as navalhas. Em meio ao assobio extrovertido dele, tentei puxar assunto:

- Quente hoje né?

- Pois é, quando esquenta assim sempre chove. E a família?

- Vai bem, meu irmão está trabalhando com os jovens em Nova Tebas, e meu pai ainda está em Santa Catarina. Vem pra cá só em maio, vai ter um mês de férias depois volta para o Mato Grosso.

- Homem corajoso ele, não é?

- Sim, mas se ele gosta tem mais que aproveitar né.

- Ééé.

Aí ele continuou assobiando e atento ao seu trabalho de precisão. Só foi interrompido por um rapaz parecido com o Zé Pequeno, do filme Cidade de Deus, que chegou falando alto:

- E aí seu veio, cadê minhas parada?

- Some daqui vagabundo!

- Finge que sabe não. Cadê minhas parada! Tu vai leva bala mané!

- Mauricio, embaixo da cadeira, pegue!

Desesperado, coloquei a mão embaixo da cadeira e notei que tinha uma arma. Peguei ela e fui passar para o cabeleireiro, só que ele já tinha outra na mão, que tirou do bolso de trás da calça.

- Aponte pra ele caralho! Gritou para mim.

- Que que eu faço com isso?

- Aponte pro cara porra!

Nisso o meliante mais que depressa tirou uma pistola de dentro da calça e atirou no seu Júnior, que desviou com uma destreza que eu jamais imaginei que ele teria e deu dois tiros na direção do cara, mas errou. O bandido saiu correndo. O cabeleireiro ainda correu atrás dele até a porta e deu mais três tiros lá na rua. Não sei se acertou.

Durante todo o acontecido eu fiquei sentado na cadeira cheio de cabelo espalhado pelo meu corpo, com uma arma na minha mão que eu não sabia como usar e uma cara de “meu Deus estou morto”.

O velho senhor calmamente pegou o revolver da minha mão, colocou de novo no esconderijo, girou a cadeira para que eu ficasse de frente para o espelho, pegou a navalha e continuou seu trabalho no meu cabelo.

- Tá garoando. Não disse que ia chover?

- Ééé.

6 comentários:

Tatiana Lazzarotto disse...

Hahaha
Vc corta seu cabelo onde? Lá no bairro Iraque?

Pede pra Michele ver no dicionário de símbolos o significado do seu sonho. Não que seja relevante, mas a gente sempre fica com cara de óó qdo recebe essas interpretações.

Agência fictícia disse...

ééééé... complicado.

Michele Matos disse...

Ashuahsuahsuahsuhauhashua
daqui a dez meses quando vc voltar lá para cortar o cabelo vai ser diferente.

Sonho com chuva é sempre favorável. Casamento ou noivado próximo. Sorte nos negócios.

hehe
=)

Neto disse...

ahsuhsuahsa....
veinho da pesada hein...
sua vida é empolgante caraaa ^^

Chris disse...

Vc ainda corta o cabelo naquele velhinho q tem cara q logo vai morrer???
NUSSSSSSSSSSSS...
me surpreendeu agora!!!
E o barril do meu chaves cadê??
=** primoOO

Paulinha Fernandes disse...

Éééééé... só você, Morris!
;)